Última alteração: 16-04-2015
Resumo
Toxicidade de Plantas Medicinais Usuais da Cultura Popular
VIERO, Fernanda T.¹; MACHADO, Ana Paula¹; LUZ, Milene D. da¹;
EHRHARDT, Alexandre ²
¹ Discentes do curso de Biomedicina / Universidade Luterana do Brasil/Carazinho
² Docente do curso de Biomedicina/ Universidade Luterana do Brasil/Carazinho
Introdução: O conceito “natural” para utilização das plantas medicinais com finalidades terapêuticas e profiláticas em muito contribuiu para o aumento do uso das plantas medicinais nas últimas décadas. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial utiliza produtos de origem natural para combater problemas de saúde cotidianos simples. Entretanto, o que grande parte da população desconhece é o poder tóxico que muitas das plantas utilizadas possuem, além de, supostamente, interagir com fármacos sintéticos prescritos.
Objetivo: Discutir o potencial de toxicidade de algumas plantas usuais da cultura popular indicadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) juntamente com a possível interação associada ao uso de medicamentos sintéticos.
Metodologia: Foi realizada uma pesquisa de revisão bibliográfica em base de dados in line ( PUBMED, MEDLINE e Scielo), utilizando como filtro principal as 4 plantas usuais da cultura popular indicadas pelo SUS: camomila (Matricaria recutita), erva-doce (Foeniculum vulgare miller), erva de São João (Hypericum perforatum) e confrei (Symphytum officinale L.). Para refinamento da pesquisa foram utilizados os seguintes descritores: toxicidade; Matricaria recutita; Foeniculum vulgare miller; Hypericum perforatum; Symphytum officinale L
Resultados e Discussões: A erva doce pela presença de alcalóides em sua composição, em altas doses apresenta efeito tóxico capaz de manifestações como alucinações, excitação e podendo contribuir para uma convulsão.
Já para a camomila, não foram encontrados estudos referentes a sua toxicidade, mas sim relatos de interações medicamentosas que pode ser causada pelo uso desta, conforme Resolução RE nº. 89, de 16 de março de 2004 que refere a interação desta com anticoagulantes, aumentando o risco de sangramentos. O uso associado a barbitúricos e outros sedativos intensifica a ação depressiva do sistema nervoso central. Além disso, pode reduzir absorção de ferro;
A erva de São João, em recentes relatos de agências regulatórias de produtos pelo mundo, indicam a existência de importantes interações entre os produtos à base de Hypericum perforatum e medicamentos prescritos, tais como ciclosporina, digoxina, contraceptivos orais, teofilina, varfarina, indinavir e com diversos outros medicamentos vendidos sob prescrição médica.
O confrei é muito utilizado pelo seu potencial cicatrizante devido à presença da alantoína. Porém este composto é comprovadamente hepatotóxico e carcinogênico, e após diversos casos de morte ocasionados por cirrose resultante de doença hepática veno-oclusiva, o uso do confrei é condenado pela OMS.
Conclusão: A ideia de que plantas medicinais e fitoterápicos são inócuos, que não apresentam potencial de toxicidade por serem “naturais” é frequente. Desconhecendo esta informação, o seu uso inadvertido pode ocasionar sérios efeitos colaterais, interações farmacológicas e intoxicações. Portanto, destacase a necessidade de implementação de medidas de educação e informação efetivas que contribuam para o uso racional de plantas medicinais.