Portal de Eventos da ULBRA., XVIII FÓRUM DE PESQUISA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA

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DESTERRITORIALIDADES, POLÍTICA DE PRESENÇA E INSOLÊNCIA DAS NEGRITUDES
Deivison Moacir Cezar de Campos

Última alteração: 08-09-2018

Resumo


As culturas negras adquiriram na diáspora caraterísticas desterritorializadas. O rompimento com o lugar levou a uma demanda por ressiginificação local e a permanente presentificação das tradições frente a experiência de ser sem pertencer. Com isso, o navio se tornou um importante veículo para a circulação desses rastros culturais, sendo substituído inicialmente pelo LP (GILROY, 2001). Propõe-se neste estudo que o desenvolvimento das tecnologias digitais produziu um lugar igualmente em fluxo para essas culturas viajantes, sobrepondo a desterritorialização do afro ao contexto de midiatização da sociedade, considerado o “processo interacional de referência” (BRAGA, 2010) na contemporaneidade. Essa condição tem possibilitado o acesso mediado aos rastros de africanismos e estilos que servem de material para fomentar presentificar e potencializar ao que Gilroy (2001) denomina “contraculturas raciais insubordinadas”. Na pesquisa, tem-se testado um modelo heurístico de identificação e leitura desses rastros, guardados na tradição negra com suas características de presentificação e movimento, denominado de leitura insolente (CAMPOS, 2017). A leitura insolente é operacionalizada a partir da noção de duplo que tem sido utilizada criativamente na manutenção das culturas negras, resistindo ao processo de assimilação cultural. A partir da noção de duplo, busca-se apreender, através da abdução (GINZBURG, 1997), o elemento tradicional que emerge da obra, visibilizando àquilo a que Gilroy (2007) denomina de mesmo mutante[1]. Esse estudo em específico discute o uso das redes sociais por grupos de mulheres articuladas em torno do empoderamento político através cabelo crespo, que tem produzido o que se denomina, igualmente no conjunto desta pesquisa, de política de presença. Esse estudo insere-se numa pesquisa mais ampla que investiga produções, processos e experiências comunicacionais e midiáticas, com ênfase no contemporâneo, com características antirracistas. Esses confrontam as estratégias de branqueamento, de invisibilidade e de aprofundamento do epistemicídio promovido pela cultua Ocidental. Trata-se de uma proposta de pesquisa com potência decolonizadora[2] por atentar ao que de negritude existe nos produtos, lidos hegemonicamente a partir da branquidade, considerando a proposição fanoniana (2005) de produção de crítica à modernidade racialista, levando em consideração memórias e experiências dos povos discriminados.

[1] “o mesmo é retido sem precisar ser reificado. Ele é permanentemente reprocessado. Ele é mantido e modificado naquilo que se torna decididamente uma tradição não tradicional, pois não se trata de uma tradição como uma repetição fechada ou simples. Sempre promíscua, a diáspora e a política de comemoração definida por ela nos desafiam a apreender formas mutáveis que podem redefinir a ideia de cultura através de uma reconciliação com o movimento com a variação complexa e dinâmica” (GILROY, 2007, p.159).

[2] A decolonização “implica a criação de uma nova ordem material e simbólica que leva em consideração o espectro completo da história humana, incluindo a suas conquistas e fracassos” (MALDONADO-TORRES, 2010, p.409)


Palavras-chave


Midiatização; pertencimento negro; insolência; política de presença.

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